Foi anunciado em Julho de 2011 e foi atraindo a atenção da mídia e público a cada nova informação lançada, graças a sua semelhança com os consagrados Deus Ex: Human Revolution e Bioshock, a sua atrativa fórmula de ação furtiva, o abuso de poderes e armas, o seu design gráfico projetado por Harvey Smith , a sua ambientação peculiar, em que interagem máquinas futuristas em locais que parecem saídos da Era Vitoriana, ou por sua distribuidora Bethesda, produtora da série The Elder Scrolls e Fallout 3.
Logo no início de sua experiência você perceberá a clara influência no gameplay de jogos já mencionados, como Bioshock e Deus Ex: Human Revolution, além de Assassin’s Creed e até Dark Souls, entretanto, apesar de inicialmente indicar uma possível falta de personalidade, não é exatamente isso o que ocorre, pelo contrário, são essas influências que fazem de Dishonored a obra-prima que é, pois bebe na fonte desses jogos e extrai o que há de melhor neles, elevando tais características a um novo nível. Acredite, depois de jogar Dishonored você não aceitará mais um jogo de ação que não ofereça o sem-número de possibilidades que se encontra aqui. Infelizmente as referências foram além das qualidades e defeitos conhecidos de tais franquias se repetem.
Você assumirá o controle de Corvo Attano, guarda-costas real e queridinho da imperatrizJessamine Kaldwin. A história começa a se desenhar quando a cidade de Dunwall sofre uma epidemia – e pandemia – causada por um surto de ratos (em uma clara referência a peste negra/bubônica) e Corvo é enviado para buscar ajuda em cidades vizinhas. No retorno presencia o assassinato de Jessamine e o sequestro de sua filha, Emily Kaldwin e, ao tentar ajudar a imperatriz e impedir o assassinato, se torna o único presente na cena do crime e único suspeito. Nosso protagonista foi pego por uma emboscada de um grupo opositor que assume o controle do governo e o aprisiona em uma cela, onde seria torturado por traição a coroa. Seria, pois Corvo é ajudado por um grupo rebelde e opositor ao novo governo que acredita em sua inocência e o liberta. Simultaneamente, Corvo é ajudado por uma força sobrenatural conhecida como “Outsider”, que lhe confere poderes mágicos. Com isso, Corvo começa sua jornada em busca de se provar inocente.
A história, apesar de não ser nada original. O enredo vai se desenvolvendo de maneira lenta e, se não fosse pelo excelente cast de personagens (e dubladores) secundários, não levaria ao jogador o interesse necessário para assistir ao desfecho da obra. Corvo tem os poderes, tem as armas, tem a motivação (por mais clichê que seja), mas não tem o mais primordial para um protagonista: O carisma. Temos um cara que se mostra capaz e hábil, mas a decisão equivocada da produção de não dar uma voz ao protagonista leva metaforicamente a calar a voz do jogador. É difícil se conectar ao personagem, uma vez que todas as missões são em benefícios de terceiros, que acabam por se enquadrar aos interesses do protagonista, mas não da maneira que deveria ser – você não é o dono da ação e sim um meio. Você é um “paga-pau” que aceita qualquer missão que possa deixá-lo o mínimo que seja mais próximo de sua vingança.
É na ambientação e no design dos personagens e cenários que Dishonored começa a se mostrar soberano e magistral. O mundo é semi-aberto, com muitas localidades para explorar, como becos, ruelas e prédios, e o estilo Vitoriano se faz presente no vestuário, casas, portos e cores do jogo, contrastando com máquinas e robôs gigantes encontrados livremente pela cidade. Pode-se dizer que a “alma” de Dishonored está nessa ambientação e em suas cores, que traz a impressão que todo o jogo foi pintado à mão – uma pintura um tanto gótica, mas ainda assim com uma gama de cores que fogem ao convencional cinza-preto-laranja. Tudo nos faz lembrar do início da era industrial e suas doenças. Ratos, pessoas mortas e castigadas por fome e doenças em todos os cantos, casas maltrapilhas, armazéns, indústrias…você se sente no século XVII/XVIII/XIX, mas ao mesmo tempo se depara com robôs bípedes enormes e percebe que não, não se trata do nosso mundo – é um mundo onde a tecnologia coexiste com o sobrenatural.
A direção de arte foi precisa nos mínimos detalhes, como na criação do coração pulsante que Corvo segura em sua mão esquerda, os trapos que a população veste, os efeitos das magias e o design de armas – quase todas remetem a armas que você só viu em filmes pré-primeira guerra mundial, como carabinas e pistolas de cano longo.
O sobrenatural, sintetizado na entidade “Outsider”, é responsável por outro grande ponto positivo: O uso de poderes. O jogo oferece possibilidade de ser apreciado de ambas as formas com a mesma qualidade, o que aumenta consideravelmente o fator replay. O design criativo das fases nos dá a possibilidade de definirmos a melhor maneira de vencer os obstáculos e inimigos. Inúmeras vezes você se encontrará diante de situações em que, ao conseguir obstáculos, soltará um suspiro e se sentirá um verdadeiro gênio, o melhor jogador de videogame EVER. Ao jogar pela segunda vez, terá a vontade de tomar uma nova decisão e perceberá que isso afetará diretamente o mundo de jogo.
O título tem um interessante sistema chamado de “Caos”, ou seja, quanto maior o caos que ocasionar (leia-se: o quanto mais violento for), maior será o nível de pânico dos seus inimigos e da própria população e, portanto, maior será o número de obstáculos no caminho. Políticos terão mais seguranças, a população lhe atacará… claramente o jogo lhe indica portanto o caminho Stealth como mais seguro, entretanto optar por ser violento é recompensado com o prazeroso gameplay, que diverte ao ver o abuso de poder contra adversários que não se mostram páreo contra as habilidades de Corvo.
Dishonored se provou um dos jogos mais divertidos da geração por ser um apanhado de referências elevadas a uma nova esfera – melhor, mais dinâmico e muito mais criativo. Com uma vasto mundo para explorar e cerca de 15 horas de um, sólido gameplay (caso siga apenas a história principal), você se sentirá desafiado a explorar o jogo ao máximo que ele pode oferecer. Não se contentará em jogá-lo apenas uma vez, irá querer repeti-lo, saber como suas ações mudarão o ambiente e o final do jogo. Infelizmente o jogo não é perfeito, com imperfeições gráficas, uma história que deveria ser melhor explorada (ou talvez recriada), a falta de personalidade e carisma do protagonista, uma trilha sonora que não vai além do básico para manter o clima do jogo (não é ruim, mas também passa longe de ser um destaque, como em Fallout 3, para citar um exemplo de um jogo da Bethesda – e para elogiar meu jogo favorito) e a falta de um modomultiplayer (fator relevante para muitos) o impede de ser considerado um jogo nota 10, mas ainda assim é altamente recomendável e um dos melhores lançamentos de 2012. É admirável a coragem da Arkane Studios de criar uma nova franquia em uma geração já próxima do seu final. Compre sem medo e experimente um dos melhores jogos de ação já criados.
Fonte: Gamegen


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